sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Os avanços na temática LGBT no ambiente empresarial

Os avanços na temática LGBT no ambiente empresarial
Reinaldo Bulgarelli
03 de outubro de 2014


A Txai Consultoria e Educação (eu, Bruna Douek e Beto de Jesus) foi responsável pela elaboração do Manual da ONU sobre direitos LGBT no mundo do trabalho, lançado no último dia 30 de setembro.

Nos últimos dois anos, demos prioridade aqui na Txai para a temática dos direitos LGBT e estamos colhendo os resultados destes esforços.

Temos duas publicações para o meio empresarial no tema (do Instituto Ethos e da ONU); temos um Fórum (Fórum de Empresas e Direitos LGBT, hoje com mais de 80 grandes empresas e um Comitê Gestor com 11 empresas), uma agenda de trabalho (10 Compromissos da Empresa com os Direitos LGBT, com indicativos de ação e indicadores de profundidade); marcador de livro com 10 Compromissos (amplamente divulgado nas reuniões e atividades do Fórum); um vídeo com duas versões (Instituto Ethos, disponível no espaço deles no Youtube); cartazes para sensibilização no tema (ONU); a Carta de Adesão ao Fórum e aos 10 Compromissos (em discussão no Comitê Gestor do Fórum para assinatura em 10 de dezembro próximo); vários cases empresariais demonstrando amadurecimento e boas práticas nesta questão; ampla cobertura da imprensa para essas ações.

O meio empresarial avançou significativamente na questão da orientação sexual e identidade de gênero, ganhando também a responsabilidade ainda maior de ajudar a sociedade toda a também realizar avanços no que diz respeito à igualdade de oportunidades e de tratamento; enfrentamento firme e efetivo da homo-lesbo-transfobia; promoção de ações afirmativas em várias áreas ou relacionamentos da empresa, priorizando travestis e transexuais; promoção de uma cultura de respeito aos direitos humanos LGBT, o que envolve organizações mais inclusivas e engajadas.

Muito orgulho de mais uma atividade da Txai que está contribuindo em temas de difícil abordagem no meio empresarial e na sociedade em geral.


Segue abaixo link para matéria no site da ONU e para a publicação lançada no último dia 30/09/2014.
http://www.onu.org.br/onu-lanca-manual-sobre-direitos-lgbt-no-mundo-do-trabalho/

sábado, 27 de setembro de 2014

"As Políticas Públicas e os Incentivos para a Diversidade em Empresas”

Conferência Ethos 360º: "As Políticas Públicas e os Incentivos para a Diversidade em Empresas”
Reinaldo Bulgarelli, 27 de setembro de 2014
Conferência Ethos 360o - Fui mediador, no último dia 24 de setembro, da mesa "As Políticas Públicas e os Incentivos para a Diversidade em Empresas". Falamos de inovação, conexão com a realidade onde a empresa opera negócios, falta de sensibilidade dos indicadores para com o tema da diversidade na eleição de boas práticas empresariais e a enorme dificuldade das empresas de lidar com a questão do negro e a promoção da equidade de gênero e raça.
Foi consenso que a adoção de ações afirmativas, incluindo as cotas, são importantes para transformar a realidade atual de profunda desigualdade, sobretudo na questão do negro e da mulher negra.
Foram apresentadas sugestões para melhoria da legislação de cotas para inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho, como a priorização das pessoas com deficiência visual, por exemplo, que enfrentam maiores barreiras para essa inclusão por motivos que não se explicam a não ser pelo preconceito.
Reforcei a importância das empresas participarem do Grupo de Trabalho de Direitos Humanos e outras iniciativas do Instituto Ethos, como forma de capacitação no tema, engajamento e interação em torno de desafios que precisam ser enfrentados conjuntamente para melhorar o desempenho das empresas na área.
Além de mediador, estava ali também para falar do tema LGBT. Citei o Fórum de Empresas e Direitos LGBT, fundado pela Txai Consultoria e Educação, bem como a criação de 10 Compromissos da Empresas com os Direitos LGBT, como exemplo de que as empresas podem atuar conjuntamente em temas desafiadores, mas com uma agenda de trabalho bem definida e que permita monitoramento da situação atual e dos avanços buscados.
Na plateia estavam sobretudo os profissionais que estão trabalhando o tema da valorização da diversidade nas empresas, lideranças empresariais, do governo e do movimento social, demonstrando que a Conferência Ethos 360o cumpria com seu objetivo de olhar os temas de maneira ampla.
Foi muito positiva e produtiva nossa discussão que contou com Maria Aparecida Bento (CEERT), José Vicente (Faculdade Zumbi dos Palmares), Guilherme Bara (BASF) e que teve no centro da roda Tatau Godinho (Secretária de Políticas do Trabalho e Autonomia Econômica das Mulheres da Presidência da República).
Link para a cobertura do evento: http://www3.ethos.org.br/ce2014/noticias/o-que-falta-para-diversidade-chegar-empresas/

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Eleições e direitos LGBT

Eleições e direitos LGBT
Reinaldo Bulgarelli
02 de setembro de 2014

As críticas aos candidatos à presidência que estão sendo feitas pelo movimento LGBT dizem respeito à defesa de seus direitos.

A vida do país é muito mais, mas você imagina um judeu votando no partido nazista porque o candidato propõe coisas boas para a economia ou defende os animais?

A gente acaba até votando num dos candidatos, mas não obrigue a comunidade a se calar diante de insultos ou omissões.

O país é muito mais do que uma minoria, mas o jeito do candidato lidar com as minorias diz muito sobre ele e sobre como pensa o país. Quando um/a candidato/a à presidência do país rejeita avanços nos direitos LGBT, pode olhar em volta porque há mais coisas que estará rejeitando. Sinaliza reforço à violência, parceria com o que há hoje de mais retrógrado em vários campos da vida em sociedade.

Hoje são os direitos LGBT que estão servindo de referência para demonstrar o compromisso efetivo destes candidatos com a liberdade, com a democracia, com a capacidade de lidar com a pluralidade com a qual devemos aprender a conviver mais e mais no mundo moderno.

Já tivemos outros temas em debate que significaram a visão de mundo das pessoas, como a questão da escravidão e do voto feminino, por exemplo. A história os julgou conforme caminhou na direção contrária. Há outros temas que amanhã poderão ganhar esse papel de representar algo mais do que apenas o direito de uma chamada minoria.

É bom prestar atenção no que hoje significa negar direitos ao segmento LGBT.

Se não bastasse, resta perguntar às pessoas se elas preferem prosperidade econômica ou a liberdade, respeito e dignidade. Vão responder, como estão respondendo, que querem tudo isso junto e muito mais. Quem não sabe combinar igualdade com liberdade, boa coisa não faz e não irá fazer.

Haverá um mundo melhor que não é respeitoso para com a diversidade humana? Então, está bem longe de ser um mundo melhor.

sábado, 23 de agosto de 2014

Melhores Empresas para se Trabalhar (para alguns trabalharem?)

Melhores Empresas para se Trabalhar (para alguns trabalharem?)
Reinaldo Bulgarelli
23 de agosto de 2014


Para estar entre as melhores, nenhuma delas precisa apresentar algum cuidado com a promoção da igualdade racial e nem mesmo práticas de enfrentamento do racismo. 

Assim, você pode estar numa empresa considerada melhor e não ter um colega negro ao seu lado. 

Dizem que esse número de brancos é a tal meritocracia. Há controvérsias. É possível ser a melhor empresa para se trabalhar num país com tamanha desigualdade racial? Isso não impacta o negócio e o desenvolvimento do país? Quando é que os critérios para se eleger uma empresa para isso ou para aquilo (prêmios, índices da bolsa, crédito governamental etc.) passarão a considerar efetivamente a questão racial como algo essencial para o negócio e para o país? 

No caso de multinacional, nem sequer trazemos para o Brasil o que faz a matriz. Seria impensável apresentar os mesmos dados nos EUA ou na Europa. Pior ainda, seria impensável não apresentar dado algum em relação à demografia interna da empresa quanto à questão racial, como acontece aqui. 

A Época e a Você S.A., com seus parceiros, precisam rever seus critérios e incluir fortemente esse tema porque o Brasil tem mais de 50% de negros em sua população. Fosse muito menor esse percentual, como nos EUA, já seria motivo para agir a favor da diversidade racial. 

Este é um dos temas de um seminário que estou ajudando a organizar e que deve acontecer em novembro. Se a questão também te incomoda, vou divulgar aqui assim que for aprovado e tomara que possamos começar 2015 com outro olhar sobre o que é ser uma das 130 ou 150 melhores empresas para se trabalhar. 

Estou focando na questão do negro, mas o mesmo vale para o cumprimento da legislação de cotas (é lei!) para a inclusão de profissionais com deficiência. Sua empresa pode ser considerada entre as dezenas de empresas como a melhor para se trabalhar sem que a questão da lei seja avaliada? Temos que criar um índice à parte, como está sendo criado? Dou a maior força, mas fazemos isso pelo triste motivo de que algumas portas estão fechadas e resta apenas caminhos alternativos. 

Presidentes das grandes empresas, profissionais da área de SRSE e suas organizações, podemos e devemos mudar isso.

domingo, 27 de julho de 2014

Perguntas e respostas

Perguntas e respostas

Reinaldo Bulgarelli
04 de junho de 2006

"Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la. Não pretendamos que as coisas mudem se sempre fazemos o mesmo."
Albert Einstein
“Quando a gente acha que tem todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas...”
Luis Fernando Veríssimo
Estamos cercados de respostas por todos os lados. Queremos respostas e elas estão diante de nós em todos os lugares, em cada nascer do sol, cada flor que se abre, cada bicho que nasce, cada criança, adulto ou idoso em seus cotidianos variados.
O que não temos são as perguntas no tempo certo para dar conta de tantas respostas. Muitas perguntas são formuladas muito tempo depois que as respostas foram dadas. E ainda tem gente que se dedica a buscar respostas e não a formular perguntas. Ainda tem gente achando que o mais importante e concreto são as respostas importantes e concretas para aquelas mesmas questões que estão formulando há séculos.
Mudem as perguntas, façam outras, invertam a ordem, busquem ressignificar as coisas e seus nomes que talvez a gente encontre mais rápido soluções novas para os desafios que a cada dia vamos inventando e sofisticando. Tudo é muito complexo para ficarmos repetindo perguntas ou para nos darmos ao luxo de não formulá-las.
Saramago nos diz isso em sua frase genial: “Tudo no mundo está dando respostas, o que demora é o tempo das perguntas”.
O tempo das perguntas é por demais demorado quando queremos, como Einstein nos ensinou, resolver novos desafios com antigas soluções. “O mundo não vai superar a crise usando o mesmo pensamento que a criou.”
Nossas organizações em geral, sejam elas empresas ou escolas, ONGs, sindicatos e governos, precisam urgentemente repensar a forma como produzem perguntas e aí a diversidade tem um papel fundamental. Com cabeças que pensam e perguntam diferente, enxergamos respostas que antes eram invisíveis. Quanto mais tornamos invisíveis algumas pessoas por serem diferentes do padrão dominante que criamos, mais invisíveis ficam as soluções que precisamos dar no momento atual do mundo.
Marcel Proust, para quem o olhar era tudo, disse que "A verdadeira viagem do descobrimento não consiste em procurar novas paisagens, mas em ver com novos olhos".
Ou seja, tudo indica que a diversidade pode nos ajudar a pensar de outra forma, a formular novas perguntas e a ver as paisagens com outros olhos.
Inserir diversidade na tomada de decisões é exatamente acolher novos pensamentos, perguntas e olhares na busca de soluções e resultados efetivos para nossos desafios.
Faça outra pergunta para o mesmo problema e envolva mais gente nesta tarefa. Quem sabe a resposta não estará diante de você? Boa sorte!
*Revisto em 27 de julho de 2014.

sábado, 26 de julho de 2014

Mercados Diversos

Pequenas empresas e a diversidade

A Revista Ideia Sustentável de julho de 2014 traz estudo da Next com 8 tendências de sustentabilidade para pequenas e microempresas.

Entre experiências práticas e opiniões de especialistas, a tendência 7 trata de diversidade com um artigo meu sobre "A pequena empresa e a diversidade" (pg 78 e 79).

Com dados sobre o mercado de trabalho em geral e o recorte para micro, pequenas e médias empresas, priorizo a abordagem da questão da mulher, do negro e da pessoa com deficiência.

Segue link para a Revista (tem de cadastrar-se antes):  http://www.ideiasustentavel.com.br/cadastro_revista/

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Trabalho infantil

Trabalho infantil e o “sindicato” de crianças na Bolívia

Reinaldo Bulgarelli
14 de julho de 2014

Crianças e adolescentes se organizam na Bolívia para pedir que o trabalho seja liberado a partir dos 10 anos de idade.

No Brasil, com apoio até das igrejas, de ONGs e dos governos, tínhamos associações de engraxates e outras aberrações que a cidadania tratou de varrer da história.

Problematizamos o trabalho das crianças (era tido como solução e não como problema), aderimos à idade mínima de 14 anos (acho que deveria ser pelo menos aos 16 anos, mas...), criamos um cenário positivo afirmando que lugar da criança era na escola e não nas ruas, favorecendo a mobilização da sociedade para encontrar outras soluções.

E assim foi. Colocamos nossa criatividade, energia e recursos para encontrar soluções que não estivessem baseadas em remendos e conivência com o trabalho das crianças. Nada de manter o trabalho infantil enquanto não existem outras soluções. Proibimos o trabalho infantil, incondicionalmente, para que outras soluções surgissem.

Se tivéssemos mantido aquela proposta de dar uma caixa de isopor para cada criança pobre vender picolé na rodoviária da cidade (com logomarca da ONG ou da prefeitura), a situação no Brasil estaria ainda pior em relação ao trabalho infantil. Avançamos e muito.

Programas de distribuição de renda, como o Bolsa Família, se mostraram muito mais eficazes para enfrentar a pobreza e esse dado cultural, com sociedades que têm gosto pelo trabalho das crianças e as colocam para ajudar no sustento da família.

É a família que deve ajudar a criança e não o contrário. É o Estado que deve ajudar a família a ajudar suas crianças. No atraso, nesta visão que tudo vale para os filhos dos pobres, o Estado vai ajudar a criança a ajudar a família e ninguém sai do lugar.

Os comentários a esta notícia da Folha mostram como pensam muitos que têm adoração pelo século passado e nele gostariam de viver. Felizmente, o patamar aqui é outro no enfrentamento do trabalho infantil. Programas oficiais e não governamentais de gente cínica que exploravam crianças em nome de uma educação dos pobres para o valor do trabalho já não encontram mais lugar no marco legal.

Ou será, com base nos comentários, que essa gente cínica e exploradora está perdendo a vergonha também neste tema e volta a defender abertamente o quanto é bom uma criança pobre ficar nas ruas da cidade até tarde da noite, como o líder "sindicalista" da Bolívia?

Quem defende o trabalho infantil, no modelo defendido pelo sindicato mirim da Bolívia, tem seus filhos engraxando sapatos na Praça da Sé ou vendendo doces nos trens?

Se não colocou os filhos para trabalhar, então assuma que odeia pobres, que defende que só os ricos devem ter auxílio do Estado com suas bolsas, universidades gratuitas, ajuda financeira para pesquisar os pobres, isenção nos impostos etc etc etc.

Assuma e defenda abertamente que as crianças pobres não deveriam nem receber migalhas sem pagar por elas com o suor do trabalho. Só não engane a si mesmo e aos outros dizendo que o trabalho dos pobres educa. É exploração mesmo e ponto.